CIDADE ESTADO PAÍS

Dentro dos teus olhos
Revolto mar de água escura
Que na gota é transparente
Mas na profundidade é penumbra.

De onde se fitou o passado
E nenhum rastro deixou

Observou.

E a luz do Sol
Conseguiu o impossível
Quê é embelezar ainda mais
Esse rosto seu.

Tem uma poeira no fundo
Do marrom barro dos seus olhos
Que destaca o claro
Escurece o límpido

Enraizada
Não deixa esquecer o perverso.
O diabo atolado na lama
De cada ato que da janela se olha
De cada pacto, cada flecha.

Ontem cai de cara na lama
Subi o rio sem ar
Contra correnteza.

Nenhuma pedra sequer
Movera-se do chão.

Porquê o tempo não
Se fez
Suficientemente.

Não atreveu-se a sair
Mudar
Emergir

Por preguiça
Sei lá
Porque.

A réstia de luz
Que não atravessa o longe
o sem fim.

Causa marasmo
Enjoo a iniciante
Embala num ritmo lerdo
Sua mais inesquecível náusea.

Contra a antologia de dias frios
E camas quentes
Deitar no chão do obscuro
E tocar violões de ilusões

(…)

A musica
Que sai da sua
Caixa torácica
se espalha
como fumaça
Pela sala.

Dança entre
conversas
Invade mentes
Estanca feridas.

Arranca efeitos
Clareia escura-mente
Te arrasta pra longe do agorissimo
E te deixa boiando num tantofaz insano.

09:11 22.04.2021

Passei a noite toda em estado letárgico.
Desde á meia noite, mais ou menos, vivenciei uma espécie de transe.

Atipicamente desliguei a TV e resolvi dormir. Uso o termo ”atípico” pois essa, literalmente, não é uma pratica rotineira; Minha mente gera impulsos poderosos contra minha consciência e me ‘impede’ de executar tal ato. Já perdi a conta de quantos meses ando dormindo com propagandas, programas, musicas aleatórias no youtube. Sei que existe a automatização da pausa, mas já acordei com programação rolando; Talvez eu tenha rolado sob o controle e acidentalmente pressionado o OK. Não sei quais danos isso pode me acarretar, e não emprego muito empenho em evitar.

Hoje, não.

Ontem também.

Não deixei a TV ligada.
Levantei á meia noite e desliguei todo o T que conecta também a TV Box e o carregador do celular. Lancei-os ao chão e me enrolei nas cobertas, com o celular de lado e a luz do banheiro acesa. Recebi uma ligação ás 00:30 mais ou menos, atendi, e não conseguia me concentrar na conversa, adormeci com o celular ligado e só fui me dar conta disso quando acordei, uma hora depois. Nesse meio tempo, entre atender o telefone e acordar uma hora depois, começaram as estranhezas.
Lembro em flashes de memoria, que se apagam e acendem como um strobo, de estar numa posição apoiada nos braços, meio sentada, meio deitada e ver a luz da cozinha acesa, ficar encarando a luz e depois deitar novamente, como se eu assistisse isso de dentro da minha mente repetidas vezes, casa toda parecia iluminada.
Quando despertei, uma hora depois da ligação, tudo estava como antes; Luz da cozinha apagada, certa penumbra.

Agora começa a ficar esquisito.
Voltei a dormir e comecei a sonhar com uma realidade oposta.
A Bia e a Alice eram as mesmas mas não em caráter*, pareciam falar de forma exagerada e grotesca, olhos estavam de cores diferentes, invertidos (azul, era castanho, castanho era azul) e estávamos reunidas como sempre, com as crianças, e conversando e rindo. Alguns segundos depois (parecia que estávamos na minha casa extamente onde a cama esta porem sem a cama) alguém, ou algo toca no meu braço pelas costas com uma mão preta e macia como um slime , e quando eu me viro para olhar, a realidade derrete e vejo que já não somos mais ‘humanos’ todos tinham a pele como se constantemente petróleo puro a cobrisse e com uma certa rítmica não escorria nem pingava; Era como uma carapaça slime de petróleo vivo. Acordei com um sopro gelado no meu braço e vendo que ele estava totalmente descoberto e gelado, olhei ao redor, e me deparando com a casa toda acesa, ignorei o fato de que aquilo pudesse ter acontecido realmente, e voltei a dormir.
Entre variantes de visões distorcidas, perdi a relação de tempo .Porém parecia de manhã, quase uma iluminação de Golden hour, quando acordei mais uma vez com frio e descoberta, dessa vez deitada completamente com a barriga pra cima e imóvel senti o ímpeto de abrir os olhos. Mas no mesmo instante algo lá no fundo, uma voz que ecoou de dentro do meu corpo me dizendo ”não abra os olhos tem alguém ai” e eu realmente me impedi de abrir os olhos, acho que nunca havia feito isso, parar no meio do ato de abrir de olhos…me virei pro lado e me escondi sob as cobertas. Dormi mais alguns minutos e acordei as 07:00.

ZINE MORDAZ #3



Zine Mordaz de Poesias #3
Edição #2
Fevereiro de 2020

Poesias por Glaw


Gostaria de dedicar essa Zine
 a todas as pessoas que
 doaram algum tempo de suas vidas
 para me dizer palavras doces,
 me darem abraços quentes
 e me fazerem enxergar
 o que eu, sozinha, não conseguia.














Gosto de acreditar que não estive longe de mim mesma por muito tempo, que dei um tempo pra minha mente, suficiente para não surtar.
Repousei minhas ideias freneticamente em pedaços de papéis manchados antes que se cansassem, ou me parassem, ou sumissem, ou sei lá, me matassem.Entendi que precisava sair, precisava me desafiar, conhecer e respirar essa nova fase das minhas percepções.Me atrevi á ficar sozinha, a escolher o meu acento na exibição cotidiana das noites sorocabanas.Muitas personagens ótimas, muitas cenas tristes, muita gente efervescente e eu, pairando dentre tudo, como ouvinte, observadora e,  na sua maioria das vezes, sob efeito latente do álcool.
Posso tirar a conclusão de que ninguém espera num sábado a noite se deparar com alguém escrevendo ou desenhando, é atípico, e quanto a isso, tudo bem;Criei formas de me fazer invisível, no canto mais escuro, nas horas mais distintas, da forma menos invasiva possível, penetrei minha mente adentro.Outra conclusão vem do fato de que estar em público é algo muito louco, e que minha mente trabalha melhor em meio a balburdia, pelo menos, quando preciso exorcizar esse ou aquele demônio.
O que vem a seguir são poesias que escrevi num período de renascimento, onde tudo era muito intenso,
 muito quente e muito íntimo.
Escolhi fazer esse apanhado em específico, pela sua relevância na minha evolução emocional, pessoal, sentimental e de consciência (das quais eu acredito ser a mais importante) e também para marcar uma fase, essa que eu chamo de "noites sem fim".















#1
Onde nada pode começar
Onde tudo pode se encerrar

No cinza
No branco
No preto
No azul.

Em todas cores
Me perco.
No silêncio
Me perco.

Catalisando energias finas de prazeres
Devolvendo ódio, amando sozinho.
Desconectando do todo, sendo solo.
Pairando sob ondas.
Levando os louros.
Não merecendo-os.
Visões atravessadoras do espetáculo.
Ignorando o backstage, no escuro.

Onde é que não me enquadro nisso?

Captei no silêncio
O inaudível  som do tempo,
Que ecoava alto e ausente.
Que percorria invisível
Países
Cidades
Destinos.

No silêncio
Me emaranhei em sentenças.
Que julgava impossível.
No silêncio que vem de dentro,
Quê não desiste,
Ouvi resíduos de pensamentos
Desmenti verdades que julguei frias.
Arrebentei tímpanos de sentimentos
E dancei desritmadamente uma
 dança sem movimento.





#2
Deitamos no chão
atravessamo-nos
Nos misturamos com a sujeira
Que estava próxima de nós.

Cuidei para que não houvessem
cinzas ou poeira.
Deitei, sob o solo sujo, onde
vários já haviam pisado
horas antes das 3am.

Conectei-me a ele.

Era eu mesma o chão
Me julguei insana,
e ainda assim, sorri.


#3
E eu fiquei
Com seu sangue nas minhas mãos
Seu gosto na minha boca
Seus olhos no meu corpo
Seus dedos na minha pele
E seu  imundo rastro  na minha alma.


#4
Que no dia a dia não deixemo-nos
atormentar,
Que às horas do dia
Passemos menos em pesar.
Hoje,
Não nos deixemos acamar ,

Pelas noites mal dormidas
Pelos dias de pleno sol
Onde viajamos em ondas frias
Onde nos esquecemos de nós.

Não vos deixei corromper
assolar
adoecer
desanimar.

Pelo simples fato de não se importar
ou não se importarem.

Estamos mais a  sós
Que imaginávamos.
Estamos mais dentro de nós
Que gostaríamos de aceitar.
A  realidade afiada, nos fatia
Em dois, em três, em quatro talvez
Pra te mostrar
Que tudo acaba, tudo transforma
Tudo é uma bosta.
Mas não pertence a  nós enfim.
Estamos mais aqui
 que deveríamos estar.
Mais tristes que gostaríamos
Cada vez mais longe de nós.


Entre tantos dias
Entre pessoas mil
Almejando o fim
Esperando a hora
Pra deitar de dormir
esquecer de si.

Queria alcançar, todos os seus pesares
E retirá-los com as mãos
Mostrar-lhe o quão é linda
Sua aura, seu coração.
Só que ando triste também
Ando meio sem direção
Pretendo voltar talvez
Ou talvez, não.

E pela cidade bailei
Em direção á minha casa,
Tomei pra eu a contradança
Conduzi a passos bêbados
A coreografia dos
 sem
esperança.





#5

Olha que não estava eu a manifestar
nenhuma empatia.
Eu gostava mais era de ouvir a música
de sentar no escuro, apreciar a bagunça,
às vozes e sons distorcidos pelo álcool,
 pela  frieza do sereno
 madrugada a dentro.

A gente até meio que gosta
De ficar sozinho e não se enfrentar.
De esquecer horas a fio
De quem somos
Sem tomar o gole de coragem
necessário para sair da monotonia.
De entender que na mesmo na solitude,
 ainda assim estará propício aos encontros,
desencontros e avessos de lados.

Talvez a gente até tenha se enganado
Correndo corredores sem fim
Atrás do Minotauro, mais que da saída,
Atrás do demônio, mais quê do exorcismo.
Atrás de nos esvaziarmos,
mais do que nos preenchermos.
Errôneo pensar que isso desamarra nos.
e que estamos a desfazê-los,





#6

Quando estás a sós, no meio de tudo.
Estás perdido.
Quando estás a sós no meio da multidão
Estás em frequência baixa.

Acredite ou não
Guardará consigo vestígios
De dias frios
De horas quentes

Colocar ideias no papel
É cansativo.
Guardá-las em puro estado sutil
Cultivá-las mil.




#7

Na antessala
Danço sozinha
À melodia de caixas torácicas
À melodia de embreaguesas
Ao canto de extrema solidão, danço.

Dançar não é sair de si, é tomar-se.
Puxei meu demônio pra dançar, e ele veio.
Dancei  solo, com um cigarro alheio.



#8

Hoje estive numas
Estive correndo
Estive em estado líquido
Estive incerta

Acredite se quiser
Esteja onde estiver
Sempre estará
Vomitado
E sujo
E com a porta aberta
Enquanto mija
Enquanto está bêbado
Enquanto foge da realidade

Enquanto some
De tudo
Enquanto se esgueira
Se torna ríspido
Se ouriça
Fraqueja.

Você sempre será o mesmo
Não importa onde for
Não importa porque
Nem por onde




#9

Cavalo de fogo que reassume a
rédea de sangue,
Cavalga entre vieses tristes
O lombo quente não acomoda bem viajante
A velocidade incendeia estrada a  frente

Perímetros estreitos onde apenas cabe a mente
E o filme de ideias roteirizadas que produz-se andando
Vós dizeis mais adiante
Que nada somos, senão descontentamento.



#10
A Rua não para
As brigas
Oa banheiro a sujos
A vida que escorre

Entre dedos.

Deixe estar
Deixe ficar
Deixe ser
Só não parta
Só não morra só.




#11

Já mirava a hora em
 que não estaríamos mais a sós
E que julgar-nos-íamos 
espertos suficientemente 
para acabar com a insensatez.

Você, que vagueia sujo e arrebentado
E treme ao menor sinal de perigo...
Não se sinta só.

Estamos todos 
a afundar na lama
 do cotidiano sórdido.
Alguns se debatem, 
outros
 apenas deslizam
 fim trágico a dentro.

Capaz seria eu de jogar tudo pra alto(?)

De desdizer o dito, o não dito
 De arremessar a esmo
 toda intolerância, toda impaciência?
Em outros tempos, talvez.


Há um rastro de flores
que crescem regadas às nossas lágrimas 
Que enfeita nosso caminho
 desde tempos atrás
Poderíamos parar e
 eternamente contemplar
Mas, deixar de seguir em frente,
 é o pior que se faz.

Solto palavras como tiros
 que a ninguém fere.
Solto minha única voz
Pra que ninguém ouça.

Cansei da estética simples do poema
Cuspi pro lado meu remorso.
E vou escrevendo 
linhas que
  
NEM SEQUER RIMAM

Numa tentativa insólita 
de me sentir livre.
Em mais uma fracassada
 tentativa de traduzir o que sinto.
	



#12
Estado inerente
Que assola humanidades
Estimam-se centenas deles
Vivendo em superficialidade

Nem me ligo,
Nem me importo
Acredito mais em mim

Percorri a nado mares
Onde me arranhei
Mais que boiei
Visto sua pequena profundidade

E nessa de ponderar, confesso
Mais estou entre
Ligar, ou desligar
Por completo.




#13
Somos a ideia inicial
Somos a centelha apagada 
a jatos de hipócritas
Somos o mar, a primeira onda
Somos selvagens.


HAIKAIS
-Vinde longe seu
Matuto do asfalto
Sujo de pó,

-Cale-se perante
essa sua
Falta de ser.

-Apontou erros, 
mas eram
Só os alheios.

-Cuidado fio
Há perigo
nessa calçada.

-E se ontem
começou hoje
porque acordei?

-Delírio o de
Ferver em
brasa quente.

-Até que 
enfim
Me abduziram.



-Na ânsia de
esperar você
DORMI.

-Olha ai, 
como tá
cheio de mim.

-E  se eu
mandasse tudo
pra merda?

-Mentiu, mas
mais pra si
Quê pra mim.

-Amigos  aqui
Colegas ali
Gente estranha.

-Caixa preta
Retangular
Acesa de fumaça.

-Sound nosso, Lar primeiro
Geleia, nosso salvador.

-2020

































ZINE MORDAZ DE POESIAS #5







Zine Mordaz de Poesias #5
Edição #1 
Fevereiro de 2020

Poesias por Glaw





















Gostaria de dedicar essa Zine
 a todas as pessoas que doaram
 algum tempo de suas vidas para 
me dizer palavras doces,
 me darem abraços quentes e 
me fazerem enxergar o que eu, 
sozinha
 não conseguiria.
























#1
 Coleciono sensações 
Em um cômodo frio 
E mal iluminado
 Onde ficam empoeiradas 
As memórias que eu quis apagar. 

Não é físico ou de barro
 Não tem terra, 
cimento, 
viga ou telhado
 Acesso por vezes, 
a nado 
Pelo seu latente
 estado inundado. 

Lá residem seus olhares
 Sua voz melodicamente 
mentirosa 
O beijo que teve
 gosto de trova
 O abraço que 
não me deste. 

Vira e mexe
 remexo
 esse cômodo
 Como quem 
procura excluir
 perpetuamente
 As vezes que fui ausente
 De todos 
que me amaram. 

Mas nao sei bem ao certo 
Porque hoje ele anda repleto 
De um cheiro
 que é mais seu 
que meu 
Que não esqueço,
 nem por deus 

E me revira
 a sanidade. 

Nesse instante 
que dormi 
Passei e repassei 
por ali 
Pelo corredor exitei
 Mas não deixei
 que me atraísse
 à tentação. 
. 
Dentro da minha mente
 Tem um cômodo
 Onde deixo a corda e o banco
 E o'que me impede
 de entrar 
 Talvez seja muito mais 
que só uma tranca.

Acho que 
deveria eu
 As janelas
 todas abrir 
E esperar que o sol 
Mandasse os fantasmas embora.





#2
 De dentro do meu quarto
 Penumbral 
Na horizontalidade
 Confortável 
A janela transluzindo 
cores de um pano aveludado 
Tenho devaneado. 

O bafo do cachorro
 Que insistiu em fazer companhia
 e do alto da sua ousadia 
mijou no pé da cama. 

A barata que a gata trouxe
 Ainda agoniza atônita nas sombras
 E ela com cara de sonsa
 vem encostar seu rosto no meu.

E sem me poupar de mim
 Me olho de frente.
 De dentro 
Mais que em qualquer aposento 
adentro meu ser
 Para desfazer o contentamento. 

A porta se fecha sozinha
 e soa como um convite
 à velha rotina 
De me esquecer por inteira.







#3
 De onde estou
 -Observando do último andar o chão-
 Em vertigem,
 de olhos embaçados
 Mente torpe 
Estômago frio
 E intenção letal
 Me tento. 

Quem me dera
 imaginar com precisão, e 
Com a imaginação 
Me contentar. 
Quem me dera não esperar. 

 Vento frio,
 esse que vem
 Do sul. 
Norte
 Leste
 Oeste 
Beija minha cara
 Com frieza
 
Espanta o fantasma
Que assopra quente
 No meu ouvido
 Uma língua que só 
Meu medo entende. 

Calor sutil que vem 
de dentro do cigarro 
Queima minutos 
dentro do trago 
Em contagem regressiva.
 
Desacelera meu peito 
Acalenta a ansiedade. 

Faz repensar o ato
 De mergulhar na 
piscina de asfalto. 
            Mas resisti. 




#4
 Noite em claro a toa
 Vide porta abrindo sozinha 
Gato roçando rabo 
Pernilongo na sinfonia. 

Pensamento meio atrasado 
Cama vazia de mim
Corpo já cansado
 Esperança sem fim. 
 Rima pobre, coração fraco. 

Vide noite mal dormida
 Que me atrasa um tanto o dia 
Que dá 
um quê a mais
 na monotonia. 

    Vide vontade 
    de horizontalizar 
   Pelo resto do dia. 








#5
 Comecei a contar nos dedos 
Os dias de calmaria
 Sobraram dedos
 Faltaram dias. 

Continuei
 a contar o tempo
 E observar 
A mais valia 
 Dos dias. 

Vi no reflexo
 da poça suja 

Minha cara, 
minha angústia 

Se misturarem
 às bolhas 
Do
sujo da rua.



#6 
As noites atravessam os dias
 Chuva molha, mas não encharca.
 Dentro do corpo,
 várias distâncias.
 As ruas deixam marcas. 
Pode haver mesmo um ideal
 Motivo pelo qual
 Estamos aqui, 
mesmo sabendo
 Que e doutro lado,
é menos mal.
Coleciona memórias
 Arrepios,
 estórias, 
Planos, 
beijos 
Mas só guarda 
um no peito

Acordaram cedo,
 os pássaros
 As borboletas,
 e a flor amarela 
se abriu
 vagarosamente.

De lá do quarto, 
eu só pude sentir
 Como quem prevê o futuro
 Como uma visão 
Que tudo começara, enfim.

De dentro pra fora de mim
um inicio
que não antecedeu
um fim.







#7 
Envelhecida pelos anos,
 Pelo alcoolismo latente,
 Cigarro paraguaio. 
 Desavenças internas
 Desventuras tacanhas 
Entorpecentes que nao usei
 Cervejas que
 esquentaram
 no copo
 Ruas que cruze
i sem ver. 
Mãos que deixei 
me sugar                                                                              
Pessoas que amei. 
Eu e eu de novo 

Carros que
 quase me atropelaram
 Estradas nas quais
 me perdi
 Toldos onde 
me escondi da chuva 
Vielas onde me aventurei 
 Becos sem saída 
Saídas de situações
 Entradas de sentimentos
 Fachadas que apedrejei 
Olhares que me cortaram 
Palavras dilaceradas. 
Gritos de tesão 
Berros de ódio 
Assobios no meio da multidão 
Envelheci por conta
 do Ontem que se foi
 Do Hoje que já tá
 Mais cigarros
 além dos tantos 
Noites em claro
 que me permiti ficar. 

Bebidas baratas
 que gastei moedas
 Cavalos alados
 de costas quentes
 Suas trapaças
 que me alegram
 seus olhos ardentes. 
Minhas estranhas 
que sucumbirão até o fim
 Comida mal refogada
 que comi de graça
 Ano mal vivido 
que deixei passar. 
Palavra mal dita,
 a que eu proferi.
 Emputecimento 
da mente
 que resiste em pensar em ti. 
Envelheci.


#8
 Haverá um tempo
 Onde tudo
 será enterrado. 
Seu corpo apodrecerá.
 Seus cabelos 
descolarão do couro
 E serão parte do chão
adubarão a terra
alimentarão baratas. 
Suas unhas
 em lascas
 cairão das pontas 
dos teus dedos. 
A sola
 dos teus pés 
descascará 
em câmera lenta.
 Até as roupas
 que lhe escolheram.

 o caixão 
logo não mais existirá.

 Mas não há o que temer
. Sua alma passeará livre.
Flutuará e observará 
a vida seguindo
a falta que fazes.






#9
 Cada dia será único 
Todos somos animais
 sob a terra
 Todos andamos
 e comemos
 o mesmo alimento 
    
 Tudo é da terra. 
  Nada é realmente nosso 
nem nós mesmos
 Nem nossas más 
 ou boas escolhas. 
A minha história 
sou eu quem escreve.

 Vai de ti,
 abrir teu  livro
 Fechá-lo
 Borrá-lo 
Tente  apagar
 a tinta permanente 
 que se relaciona
 com como as palavras 
são proferidas 

Escritas à letra cursiva/bastão. 

À sua mão.
 À sua língua
 À sua boca.
 Ao que emana.
 Ao que atrai.
 Responsabiliza-te. 




HAIKAIS
-Fecha porta, 
abre 
sala de espera. 

-Bafo quente 
do seu hálito. 

-Cansada do olhar
 do seu. 
-Fala menos, ouve mais. 

-Deixa a corda pra 
amarrar cerca. 
-A vela que incendeia. 

-As palavras abraçam 
Os braços apertam. 
-Verdadeiro Eu não existe. 
-Calei minha boca 
parei as palavras. 

- Cadeira de dia 
fantasma de noite. 

-Andei sozinha na casa alheia. 
-Toda a casa tem em comum o chão. 

- Cozinha em casa
 come a rua 
-DarkSideOfAugusty 
-Loucos do nosso 
do seu do meu. 

-Viveu suficiente pra acordar. 
-Beija minha alma lambe meu ser. 
-Saudades que batem socos na cara. 
-Amor liquido me dá um gole? 
-2020, 














































05012021

05012021

O fato de todas as minhas roupas rotineiras estarem sujas num canto da lavanderia a mais de uma semana, não foram os motivos da minha decisão de acoplar minha barriga ao tanque e as lavar de forma manual.

De maneira geral, não poderia me considerar, nem de longe, a pessoa mais organizada que existe.
Procrastino ate o ultimo segundo, tudo.
E todas as vezes que entrei nesse comodo, me senti horrível.

Tudo fedia a suor azedo,cinzas molhadas e álcool evaporado.
Parece exagero, mas não é.

Enquanto enchia o tanque, para fazer uma especie de bacia, comecei a ter uma epifania gostosa e nostálgica.

Lembrei da minha mãe, aos domingos com aquele taquinho transbordando espuma de sabão em pó, e o cheiro de amaciante que sentia todas as vezes que ia ate o banheiro (logo atras da lavanderiana casa dela).

Rebobinei na minha mente as imagens dos lençóis floridos e de desenhos animados, como se o vento lentamente os inflassem e assoprassem.Aquele céu azul que só observo no Green Valley ( ate os dias de hoje quando estou por lá) de plano de fundo.
O balançar da rede, o rangido que o gancho fazia.
Parece tão antigo.
Como uma recordação de uma outra vida, outra parte da minha vida que apenas surge como um filme a ser assistido.

Lembrei das minhas avós, e da relação de equivalência que existia nos encontros mesmo que em outras cidades, e em momentos distintos, e da visão das vestes molhadas e dos prendedores pendurados, minuciosamente alinhados em um dos lados do avental ou guardanapo.
Mesmo com as visitas, a desnecessidade de se arrumar perante ao cotidiano.
Abraça-las e sentir aquela região do corpo molhada, trazia um aconchego que só se sente quando se esta próximo a algo muito intimo.Casa.Lar.

Agora sentei aqui e me molhei em lagrimas.

Pra que dizer isso num texto tacanho sobre as mulheres das nossas vidas?
Justamente porque as refletimos o tempo todo.

Hoje já quis me livrar da maquina de lavar justamente para poder ensaboar melhor minhas roupas e da Sophia, me conectar com essa parte da lida da casa, me conectar também às memórias que me de atrelam às minhas raizes.
Ensaboar as roupas, enxáguar com lagrimas.O Sal há de me limpar também.
Parece meio bobo e impulsivo.Não ligo.

01012021

Aninhada sob uma cama solar,
banhada pela penumbra
e umidecida por pensamentos inúteis
a mente começara uma jornada
em busca do inexorável estado de lisergia.

No primeiro dia do ano,
primeiro e mais estranho
primeiros dias dos anos
a proposta era
exatamente a mesma ancestral.Viajar.

Carece não, que eu disserte horas
sobre o que se pode encontrar
dentro de uma mente perturbada como a minha.

Demônios, anjos, pessoas, seres.

Em cada cômodo da casa habita o inimaginável.
Depois de tudo, reset.

Comecei bem (na medida do possível) o ano.
Equippo novo(o primeiro)
Lisergia boa ( de varias)

Encontros tachanhos, pra encerrar ciclos e trancar portas à chave.
Amém

18:38

Anestesia infértil
Não ha procedimento para executar
Sequer exploração para desbravar
Não há doença para procurar
Infértil.

Continuava a procurar lâminas
E a olhar para fora da sala
Poderia haver saída?
A porta se trancou sozinha.

Sem linhas para fechar os olhos
Sem cortes para grudar
Os pequenos furos e bolhas
Logo iam cicatrizar

Excerto ditado à viva voz
Esse que saiu
direto do ínfimo pensar

Nao houve pausa
Nao houve respiro

As palavras como fumaça
Mancharam o pulmão da folha
Borraram os dedos da caneta
de amarelo fumante.

Depois que o corpo for arrastado
Com ou sem vida
Haverá uma pausa
atrás de outra pausa
Anunciando os movimentos daqueles
que vieram para empurrar
a cama pra fora do mundo.

Sem sexo,
apenas sendo
A ejaculada lhe trará
ao começo denovo e denovo.
Saiba diferenciar
Inicios e fins.

14:44

Que o tempo nao voe ao vento.

Que o tempo voe ao vento.

Sedento, o tempo.
A nos encerrar.

Calados somos montanhas
Prestes a escalar
Prestes a desmoronar
A escorrer agua da chuva.

Suplico ao vento
Que me de mais tempo
Antes de arrevoar
Todo meu cabelo
E antes de secar
Todas minhas lágrimas.

Deixa molhar, vento meu.
Deixa eu me banhar.
No sal que sai do meu Mar.

03:33Hrs

Grande, de olhos castanhos
Banha me com sua penumbra
Insana cura, suas curvas
Suas veias, seus olhares

Ruina infértil de uma estátua qualquer
Desenhado às mãos delicadas de uma Deusa
E que nao fez questão de ficar em pé
Perante tempestade alguma renegou suas fragilidades
Dentro de um templo qualquer, envelheceu com o tempo.

Insano de olhar maciço
Pedaços de tantos outros
Costuras de tantas colchas
Manchas de tantos lençóis.

Eis ai uma ode ao ínfimo
Ao devaneio surdo e límpido
E entre labios que mentem
Nos enganamos mais uma vez.