05012021

05012021

O fato de todas as minhas roupas rotineiras estarem sujas num canto da lavanderia a mais de uma semana, não foram os motivos da minha decisão de acoplar minha barriga ao tanque e as lavar de forma manual.

De maneira geral, não poderia me considerar, nem de longe, a pessoa mais organizada que existe.
Procrastino ate o ultimo segundo, tudo.
E todas as vezes que entrei nesse comodo, me senti horrível.

Tudo fedia a suor azedo,cinzas molhadas e álcool evaporado.
Parece exagero, mas não é.

Enquanto enchia o tanque, para fazer uma especie de bacia, comecei a ter uma epifania gostosa e nostálgica.

Lembrei da minha mãe, aos domingos com aquele taquinho transbordando espuma de sabão em pó, e o cheiro de amaciante que sentia todas as vezes que ia ate o banheiro (logo atras da lavanderiana casa dela).

Rebobinei na minha mente as imagens dos lençóis floridos e de desenhos animados, como se o vento lentamente os inflassem e assoprassem.Aquele céu azul que só observo no Green Valley ( ate os dias de hoje quando estou por lá) de plano de fundo.
O balançar da rede, o rangido que o gancho fazia.
Parece tão antigo.
Como uma recordação de uma outra vida, outra parte da minha vida que apenas surge como um filme a ser assistido.

Lembrei das minhas avós, e da relação de equivalência que existia nos encontros mesmo que em outras cidades, e em momentos distintos, e da visão das vestes molhadas e dos prendedores pendurados, minuciosamente alinhados em um dos lados do avental ou guardanapo.
Mesmo com as visitas, a desnecessidade de se arrumar perante ao cotidiano.
Abraça-las e sentir aquela região do corpo molhada, trazia um aconchego que só se sente quando se esta próximo a algo muito intimo.Casa.Lar.

Agora sentei aqui e me molhei em lagrimas.

Pra que dizer isso num texto tacanho sobre as mulheres das nossas vidas?
Justamente porque as refletimos o tempo todo.

Hoje já quis me livrar da maquina de lavar justamente para poder ensaboar melhor minhas roupas e da Sophia, me conectar com essa parte da lida da casa, me conectar também às memórias que me de atrelam às minhas raizes.
Ensaboar as roupas, enxáguar com lagrimas.O Sal há de me limpar também.
Parece meio bobo e impulsivo.Não ligo.

01012021

Aninhada sob uma cama solar,
banhada pela penumbra
e umidecida por pensamentos inúteis
a mente começara uma jornada
em busca do inexorável estado de lisergia.

No primeiro dia do ano,
primeiro e mais estranho
primeiros dias dos anos
a proposta era
exatamente a mesma ancestral.Viajar.

Carece não, que eu disserte horas
sobre o que se pode encontrar
dentro de uma mente perturbada como a minha.

Demônios, anjos, pessoas, seres.

Em cada cômodo da casa habita o inimaginável.
Depois de tudo, reset.

Comecei bem (na medida do possível) o ano.
Equippo novo(o primeiro)
Lisergia boa ( de varias)

Encontros tachanhos, pra encerrar ciclos e trancar portas à chave.
Amém

18:38

Anestesia infértil
Não ha procedimento para executar
Sequer exploração para desbravar
Não há doença para procurar
Infértil.

Continuava a procurar lâminas
E a olhar para fora da sala
Poderia haver saída?
A porta se trancou sozinha.

Sem linhas para fechar os olhos
Sem cortes para grudar
Os pequenos furos e bolhas
Logo iam cicatrizar

Excerto ditado à viva voz
Esse que saiu
direto do ínfimo pensar

Nao houve pausa
Nao houve respiro

As palavras como fumaça
Mancharam o pulmão da folha
Borraram os dedos da caneta
de amarelo fumante.

Depois que o corpo for arrastado
Com ou sem vida
Haverá uma pausa
atrás de outra pausa
Anunciando os movimentos daqueles
que vieram para empurrar
a cama pra fora do mundo.

Sem sexo,
apenas sendo
A ejaculada lhe trará
ao começo denovo e denovo.
Saiba diferenciar
Inicios e fins.

14:44

Que o tempo nao voe ao vento.

Que o tempo voe ao vento.

Sedento, o tempo.
A nos encerrar.

Calados somos montanhas
Prestes a escalar
Prestes a desmoronar
A escorrer agua da chuva.

Suplico ao vento
Que me de mais tempo
Antes de arrevoar
Todo meu cabelo
E antes de secar
Todas minhas lágrimas.

Deixa molhar, vento meu.
Deixa eu me banhar.
No sal que sai do meu Mar.

03:33Hrs

Grande, de olhos castanhos
Banha me com sua penumbra
Insana cura, suas curvas
Suas veias, seus olhares

Ruina infértil de uma estátua qualquer
Desenhado às mãos delicadas de uma Deusa
E que nao fez questão de ficar em pé
Perante tempestade alguma renegou suas fragilidades
Dentro de um templo qualquer, envelheceu com o tempo.

Insano de olhar maciço
Pedaços de tantos outros
Costuras de tantas colchas
Manchas de tantos lençóis.

Eis ai uma ode ao ínfimo
Ao devaneio surdo e límpido
E entre labios que mentem
Nos enganamos mais uma vez.

18:28Hrs

Soletrando a estória
Em vias de fato
Concorda-se a verdade
Acerta-se aparas
Não ha tempo vago.

Vento do norte ao sul
Arrasta todo cabelo seco
Devolve a sanidade capaz
De equalizar os ecos.

Sequela que coça palavra
Corte que arranha olhada
Viagem que arrasta estrada
Derramo-me.

Estrondo desgovernal o choro
Que foi esquecido por dias
Centelha mundana, soprada ao vento
O tempo, o não, sangrias.

Sorve e absorve minha saliva
Enquanto nossas mentes cantam
Dança comigo na rua e
Despreza tantos outros cantos.

Entre visões que nos lembram, enquanto os copos esvaziam-se, das velas que apaguaram sozinhas
De todas as tardes cinzas.

Das historias contidas, enquanto os cigarros se queimam,nos segmentos finos de fumaça densa onde nos vimos insanos, e rimos por dentro.

Ao som das musicas palavras suas
E rimas contando memórias
Vamos nos eternizando
Dentro do tempo do agora.

ADOBEADDICT II

In celebration of the International Year of Astronomy 2009, the NASA/ESA Hubble Space Telescope and its companion Great Observatories: the Spitzer Space Telescope and the Chandra X-ray Observatory have collaborated to produce an unprecedented image of the central region of our Milky Way galaxy. In this spectacular image, observations using infrared light and X-ray light see through the obscuring dust and reveal the intense activity near the galactic core. Note that the centre of the galaxy is located within the bright white region to the right of and just below the middle of the image. The entire image width covers about one-half a degree, about the same angular width as the full moon. Each telescope’s contribution is presented in a different colour: Yellow represents the near-infrared observations of Hubble. They outline the energetic regions where stars are being born as well as reveal hundreds of thousands of stars. Red represents the infrared observations of Spitzer. The radiation and winds from stars create glowing dust clouds that exhibit complex structures from compact, spherical globules to long, stringy filaments. Blue and violet represent the X-ray observations of Chandra. X-rays are emitted by gas heated to millions of degrees by stellar explosions and by outflows from the supermassive black hole in the galaxy’s centre. The bright blue blob on the left side is emission from a double star system containing either a neutron star or a black hole. When these views are brought together, this composite image provides one of the most detailed views ever of our galaxy’s mysterious core.