ZINE MORDAZ #3


#1

Onde nada pode começar
Onde tudo pode se encerrar

No cinza
No branco
No preto
No azul.

Em todas cores
Me perco.
No silêncio
Me perco.

Catalisando energias finas de prazeres
Devolvendo ódio, amando sozinho.
Desconectando do todo, sendo solo.
Pairando sob ondas.
Levando os louros.
Não merecendo-os.
Visões atravessadoras do espetáculo.
Ignorando o backstage, no escuro.

Onde é que não me enquadro nisso?

Captei no silêncio
O inaudível  som do tempo,
Que ecoava alto e ausente.
Que percorria invisível
Países
Cidades
Destinos.

No silêncio
Me emaranhei em sentenças.
Que julgava impossível.
No silêncio que vem de dentro,
Quê não desiste,
Ouvi resíduos de pensamentos
Desmenti verdades que julguei frias.
Arrebentei tímpanos de sentimentos
E dancei desritmadamente uma
 dança sem movimento.

ZINE MORDAZ Nº 1′

#5

Ontem, enquanto eu lia o tempo,
descobri outros detalhes que, no
atual presente, não teriam
sentido.

Alma podre a
minha, que anseia outras vidas.

Dia sujo o meu, que não cabe nas
24hrs.

Tempo estranho esse,
 onde não me encaixo.

Dias tristes os nossos, 
que não se esquecem.

Sorri ao sentir
sua falta,
 até porque, nunca
existires de fato.

Estranhamento
Quando deixo meu ser
Pra ser outra coisa.

ZINE MORDAZ Nº 1

#4

Estive longe por dias
Entre tantas horas, apenas despendei
 algumas pra eu mesma.

Eu me atrelo 
me emaranho
nas linhas alheias
muito mais que deveria.

Mas é inconsciente. 
Quando vejo, já esta la, enfiado

Parece estranho, mas
Acaba se acostumando.

Eu não mereço nada, visto que
só me esqueço do tempo

Qualquer dia, que não hoje, eu aprendo

E me remendo sem usar linha ou cola

Unhas ou pele 

Acerto as arestas e descolo sentimentos.

ZINE MORDAZ Nº 1

#3

Na velocidade da luz
Minha onda chega na sua.

No instante que nos induz
A não sermos mais nossos

Queria eu atravessar o tempo
Pra remediar coisas futuras
Mas entendo que apesar
De insanos, colhemos nossas próprias frutas.

E dependendo de onde for
Vomitamos nosso próprio álcool
E mais ainda, devemos supor
Que nada é pra sempre e ao acaso.

Mesmo que morra em nós
Mesmo que nos atravesse
O fim é algo que escolhemos
É a nossa decisão sobre os fatos

Calcula-se que estamos perdidos
Estimam-se mais mortos que feridos
Perambulando solidão 
Escrevendo, desenhando,
Com ou sem salvo conduto
Invade visceral.
Acerta o ponto primordial
Destrói ideias iniciais
Remedia doença que só é mental.

Acredita vivo
Que sonhas morto
Com a vida que vive

Acerta de novo
Onde tudo resiste
Abala-se por si só, mas
A onda de sono insiste…

Acorda!

Levantai pro hoje
Mais que 
do que ontem 
absteve-se.

Acelera ritmos 
Antes quê acerte
Em cheio
Suas próprias paredes.

ZINE MORDAZ Nº 1

#2
Que no dia a dia
Não deixemo-nos atormentar
Que às horas do dia
Passemos menos em pesar.

Hoje e amanhã
Não nos deixemos acamar

Pelas noites mal dormidas
Pelos dias de pleno sol
Onde viajamos em ondas frias
Onde nos esquecemos de nós

Não vos deixei corromper
assolar
 adoecer
Pela falta de se cultivar.

Zine Mordaz Nº1

#1
Aproximei-me
E repensei
Existi dentro de várias vidas.

Desacostumei-me
Da minha própria.

Acalentei-me nos seus ombros
Braços e peito
Pra descansar a cabeça
a mente, o corpo.

Gostei de descer entre as ruas,
Gostei de arrumar guarda-roupas
Gostei de vestir suas camisas.
Colocar-me no seu lugar.