ZINE MORDAZ #3



Zine Mordaz de Poesias #3
Edição #2
Fevereiro de 2020

Poesias por Glaw


Gostaria de dedicar essa Zine
 a todas as pessoas que
 doaram algum tempo de suas vidas
 para me dizer palavras doces,
 me darem abraços quentes
 e me fazerem enxergar
 o que eu, sozinha, não conseguia.














Gosto de acreditar que não estive longe de mim mesma por muito tempo, que dei um tempo pra minha mente, suficiente para não surtar.
Repousei minhas ideias freneticamente em pedaços de papéis manchados antes que se cansassem, ou me parassem, ou sumissem, ou sei lá, me matassem.Entendi que precisava sair, precisava me desafiar, conhecer e respirar essa nova fase das minhas percepções.Me atrevi á ficar sozinha, a escolher o meu acento na exibição cotidiana das noites sorocabanas.Muitas personagens ótimas, muitas cenas tristes, muita gente efervescente e eu, pairando dentre tudo, como ouvinte, observadora e,  na sua maioria das vezes, sob efeito latente do álcool.
Posso tirar a conclusão de que ninguém espera num sábado a noite se deparar com alguém escrevendo ou desenhando, é atípico, e quanto a isso, tudo bem;Criei formas de me fazer invisível, no canto mais escuro, nas horas mais distintas, da forma menos invasiva possível, penetrei minha mente adentro.Outra conclusão vem do fato de que estar em público é algo muito louco, e que minha mente trabalha melhor em meio a balburdia, pelo menos, quando preciso exorcizar esse ou aquele demônio.
O que vem a seguir são poesias que escrevi num período de renascimento, onde tudo era muito intenso,
 muito quente e muito íntimo.
Escolhi fazer esse apanhado em específico, pela sua relevância na minha evolução emocional, pessoal, sentimental e de consciência (das quais eu acredito ser a mais importante) e também para marcar uma fase, essa que eu chamo de "noites sem fim".















#1
Onde nada pode começar
Onde tudo pode se encerrar

No cinza
No branco
No preto
No azul.

Em todas cores
Me perco.
No silêncio
Me perco.

Catalisando energias finas de prazeres
Devolvendo ódio, amando sozinho.
Desconectando do todo, sendo solo.
Pairando sob ondas.
Levando os louros.
Não merecendo-os.
Visões atravessadoras do espetáculo.
Ignorando o backstage, no escuro.

Onde é que não me enquadro nisso?

Captei no silêncio
O inaudível  som do tempo,
Que ecoava alto e ausente.
Que percorria invisível
Países
Cidades
Destinos.

No silêncio
Me emaranhei em sentenças.
Que julgava impossível.
No silêncio que vem de dentro,
Quê não desiste,
Ouvi resíduos de pensamentos
Desmenti verdades que julguei frias.
Arrebentei tímpanos de sentimentos
E dancei desritmadamente uma
 dança sem movimento.





#2
Deitamos no chão
atravessamo-nos
Nos misturamos com a sujeira
Que estava próxima de nós.

Cuidei para que não houvessem
cinzas ou poeira.
Deitei, sob o solo sujo, onde
vários já haviam pisado
horas antes das 3am.

Conectei-me a ele.

Era eu mesma o chão
Me julguei insana,
e ainda assim, sorri.


#3
E eu fiquei
Com seu sangue nas minhas mãos
Seu gosto na minha boca
Seus olhos no meu corpo
Seus dedos na minha pele
E seu  imundo rastro  na minha alma.


#4
Que no dia a dia não deixemo-nos
atormentar,
Que às horas do dia
Passemos menos em pesar.
Hoje,
Não nos deixemos acamar ,

Pelas noites mal dormidas
Pelos dias de pleno sol
Onde viajamos em ondas frias
Onde nos esquecemos de nós.

Não vos deixei corromper
assolar
adoecer
desanimar.

Pelo simples fato de não se importar
ou não se importarem.

Estamos mais a  sós
Que imaginávamos.
Estamos mais dentro de nós
Que gostaríamos de aceitar.
A  realidade afiada, nos fatia
Em dois, em três, em quatro talvez
Pra te mostrar
Que tudo acaba, tudo transforma
Tudo é uma bosta.
Mas não pertence a  nós enfim.
Estamos mais aqui
 que deveríamos estar.
Mais tristes que gostaríamos
Cada vez mais longe de nós.


Entre tantos dias
Entre pessoas mil
Almejando o fim
Esperando a hora
Pra deitar de dormir
esquecer de si.

Queria alcançar, todos os seus pesares
E retirá-los com as mãos
Mostrar-lhe o quão é linda
Sua aura, seu coração.
Só que ando triste também
Ando meio sem direção
Pretendo voltar talvez
Ou talvez, não.

E pela cidade bailei
Em direção á minha casa,
Tomei pra eu a contradança
Conduzi a passos bêbados
A coreografia dos
 sem
esperança.





#5

Olha que não estava eu a manifestar
nenhuma empatia.
Eu gostava mais era de ouvir a música
de sentar no escuro, apreciar a bagunça,
às vozes e sons distorcidos pelo álcool,
 pela  frieza do sereno
 madrugada a dentro.

A gente até meio que gosta
De ficar sozinho e não se enfrentar.
De esquecer horas a fio
De quem somos
Sem tomar o gole de coragem
necessário para sair da monotonia.
De entender que na mesmo na solitude,
 ainda assim estará propício aos encontros,
desencontros e avessos de lados.

Talvez a gente até tenha se enganado
Correndo corredores sem fim
Atrás do Minotauro, mais que da saída,
Atrás do demônio, mais quê do exorcismo.
Atrás de nos esvaziarmos,
mais do que nos preenchermos.
Errôneo pensar que isso desamarra nos.
e que estamos a desfazê-los,





#6

Quando estás a sós, no meio de tudo.
Estás perdido.
Quando estás a sós no meio da multidão
Estás em frequência baixa.

Acredite ou não
Guardará consigo vestígios
De dias frios
De horas quentes

Colocar ideias no papel
É cansativo.
Guardá-las em puro estado sutil
Cultivá-las mil.




#7

Na antessala
Danço sozinha
À melodia de caixas torácicas
À melodia de embreaguesas
Ao canto de extrema solidão, danço.

Dançar não é sair de si, é tomar-se.
Puxei meu demônio pra dançar, e ele veio.
Dancei  solo, com um cigarro alheio.



#8

Hoje estive numas
Estive correndo
Estive em estado líquido
Estive incerta

Acredite se quiser
Esteja onde estiver
Sempre estará
Vomitado
E sujo
E com a porta aberta
Enquanto mija
Enquanto está bêbado
Enquanto foge da realidade

Enquanto some
De tudo
Enquanto se esgueira
Se torna ríspido
Se ouriça
Fraqueja.

Você sempre será o mesmo
Não importa onde for
Não importa porque
Nem por onde




#9

Cavalo de fogo que reassume a
rédea de sangue,
Cavalga entre vieses tristes
O lombo quente não acomoda bem viajante
A velocidade incendeia estrada a  frente

Perímetros estreitos onde apenas cabe a mente
E o filme de ideias roteirizadas que produz-se andando
Vós dizeis mais adiante
Que nada somos, senão descontentamento.



#10
A Rua não para
As brigas
Oa banheiro a sujos
A vida que escorre

Entre dedos.

Deixe estar
Deixe ficar
Deixe ser
Só não parta
Só não morra só.




#11

Já mirava a hora em
 que não estaríamos mais a sós
E que julgar-nos-íamos 
espertos suficientemente 
para acabar com a insensatez.

Você, que vagueia sujo e arrebentado
E treme ao menor sinal de perigo...
Não se sinta só.

Estamos todos 
a afundar na lama
 do cotidiano sórdido.
Alguns se debatem, 
outros
 apenas deslizam
 fim trágico a dentro.

Capaz seria eu de jogar tudo pra alto(?)

De desdizer o dito, o não dito
 De arremessar a esmo
 toda intolerância, toda impaciência?
Em outros tempos, talvez.


Há um rastro de flores
que crescem regadas às nossas lágrimas 
Que enfeita nosso caminho
 desde tempos atrás
Poderíamos parar e
 eternamente contemplar
Mas, deixar de seguir em frente,
 é o pior que se faz.

Solto palavras como tiros
 que a ninguém fere.
Solto minha única voz
Pra que ninguém ouça.

Cansei da estética simples do poema
Cuspi pro lado meu remorso.
E vou escrevendo 
linhas que
  
NEM SEQUER RIMAM

Numa tentativa insólita 
de me sentir livre.
Em mais uma fracassada
 tentativa de traduzir o que sinto.
	



#12
Estado inerente
Que assola humanidades
Estimam-se centenas deles
Vivendo em superficialidade

Nem me ligo,
Nem me importo
Acredito mais em mim

Percorri a nado mares
Onde me arranhei
Mais que boiei
Visto sua pequena profundidade

E nessa de ponderar, confesso
Mais estou entre
Ligar, ou desligar
Por completo.




#13
Somos a ideia inicial
Somos a centelha apagada 
a jatos de hipócritas
Somos o mar, a primeira onda
Somos selvagens.


HAIKAIS
-Vinde longe seu
Matuto do asfalto
Sujo de pó,

-Cale-se perante
essa sua
Falta de ser.

-Apontou erros, 
mas eram
Só os alheios.

-Cuidado fio
Há perigo
nessa calçada.

-E se ontem
começou hoje
porque acordei?

-Delírio o de
Ferver em
brasa quente.

-Até que 
enfim
Me abduziram.



-Na ânsia de
esperar você
DORMI.

-Olha ai, 
como tá
cheio de mim.

-E  se eu
mandasse tudo
pra merda?

-Mentiu, mas
mais pra si
Quê pra mim.

-Amigos  aqui
Colegas ali
Gente estranha.

-Caixa preta
Retangular
Acesa de fumaça.

-Sound nosso, Lar primeiro
Geleia, nosso salvador.

-2020

































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