ZINE MORDAZ DE POESIAS #5







Zine Mordaz de Poesias #5
Edição #1 
Fevereiro de 2020

Poesias por Glaw





















Gostaria de dedicar essa Zine
 a todas as pessoas que doaram
 algum tempo de suas vidas para 
me dizer palavras doces,
 me darem abraços quentes e 
me fazerem enxergar o que eu, 
sozinha
 não conseguiria.
























#1
 Coleciono sensações 
Em um cômodo frio 
E mal iluminado
 Onde ficam empoeiradas 
As memórias que eu quis apagar. 

Não é físico ou de barro
 Não tem terra, 
cimento, 
viga ou telhado
 Acesso por vezes, 
a nado 
Pelo seu latente
 estado inundado. 

Lá residem seus olhares
 Sua voz melodicamente 
mentirosa 
O beijo que teve
 gosto de trova
 O abraço que 
não me deste. 

Vira e mexe
 remexo
 esse cômodo
 Como quem 
procura excluir
 perpetuamente
 As vezes que fui ausente
 De todos 
que me amaram. 

Mas nao sei bem ao certo 
Porque hoje ele anda repleto 
De um cheiro
 que é mais seu 
que meu 
Que não esqueço,
 nem por deus 

E me revira
 a sanidade. 

Nesse instante 
que dormi 
Passei e repassei 
por ali 
Pelo corredor exitei
 Mas não deixei
 que me atraísse
 à tentação. 
. 
Dentro da minha mente
 Tem um cômodo
 Onde deixo a corda e o banco
 E o'que me impede
 de entrar 
 Talvez seja muito mais 
que só uma tranca.

Acho que 
deveria eu
 As janelas
 todas abrir 
E esperar que o sol 
Mandasse os fantasmas embora.





#2
 De dentro do meu quarto
 Penumbral 
Na horizontalidade
 Confortável 
A janela transluzindo 
cores de um pano aveludado 
Tenho devaneado. 

O bafo do cachorro
 Que insistiu em fazer companhia
 e do alto da sua ousadia 
mijou no pé da cama. 

A barata que a gata trouxe
 Ainda agoniza atônita nas sombras
 E ela com cara de sonsa
 vem encostar seu rosto no meu.

E sem me poupar de mim
 Me olho de frente.
 De dentro 
Mais que em qualquer aposento 
adentro meu ser
 Para desfazer o contentamento. 

A porta se fecha sozinha
 e soa como um convite
 à velha rotina 
De me esquecer por inteira.







#3
 De onde estou
 -Observando do último andar o chão-
 Em vertigem,
 de olhos embaçados
 Mente torpe 
Estômago frio
 E intenção letal
 Me tento. 

Quem me dera
 imaginar com precisão, e 
Com a imaginação 
Me contentar. 
Quem me dera não esperar. 

 Vento frio,
 esse que vem
 Do sul. 
Norte
 Leste
 Oeste 
Beija minha cara
 Com frieza
 
Espanta o fantasma
Que assopra quente
 No meu ouvido
 Uma língua que só 
Meu medo entende. 

Calor sutil que vem 
de dentro do cigarro 
Queima minutos 
dentro do trago 
Em contagem regressiva.
 
Desacelera meu peito 
Acalenta a ansiedade. 

Faz repensar o ato
 De mergulhar na 
piscina de asfalto. 
            Mas resisti. 




#4
 Noite em claro a toa
 Vide porta abrindo sozinha 
Gato roçando rabo 
Pernilongo na sinfonia. 

Pensamento meio atrasado 
Cama vazia de mim
Corpo já cansado
 Esperança sem fim. 
 Rima pobre, coração fraco. 

Vide noite mal dormida
 Que me atrasa um tanto o dia 
Que dá 
um quê a mais
 na monotonia. 

    Vide vontade 
    de horizontalizar 
   Pelo resto do dia. 








#5
 Comecei a contar nos dedos 
Os dias de calmaria
 Sobraram dedos
 Faltaram dias. 

Continuei
 a contar o tempo
 E observar 
A mais valia 
 Dos dias. 

Vi no reflexo
 da poça suja 

Minha cara, 
minha angústia 

Se misturarem
 às bolhas 
Do
sujo da rua.



#6 
As noites atravessam os dias
 Chuva molha, mas não encharca.
 Dentro do corpo,
 várias distâncias.
 As ruas deixam marcas. 
Pode haver mesmo um ideal
 Motivo pelo qual
 Estamos aqui, 
mesmo sabendo
 Que e doutro lado,
é menos mal.
Coleciona memórias
 Arrepios,
 estórias, 
Planos, 
beijos 
Mas só guarda 
um no peito

Acordaram cedo,
 os pássaros
 As borboletas,
 e a flor amarela 
se abriu
 vagarosamente.

De lá do quarto, 
eu só pude sentir
 Como quem prevê o futuro
 Como uma visão 
Que tudo começara, enfim.

De dentro pra fora de mim
um inicio
que não antecedeu
um fim.







#7 
Envelhecida pelos anos,
 Pelo alcoolismo latente,
 Cigarro paraguaio. 
 Desavenças internas
 Desventuras tacanhas 
Entorpecentes que nao usei
 Cervejas que
 esquentaram
 no copo
 Ruas que cruze
i sem ver. 
Mãos que deixei 
me sugar                                                                              
Pessoas que amei. 
Eu e eu de novo 

Carros que
 quase me atropelaram
 Estradas nas quais
 me perdi
 Toldos onde 
me escondi da chuva 
Vielas onde me aventurei 
 Becos sem saída 
Saídas de situações
 Entradas de sentimentos
 Fachadas que apedrejei 
Olhares que me cortaram 
Palavras dilaceradas. 
Gritos de tesão 
Berros de ódio 
Assobios no meio da multidão 
Envelheci por conta
 do Ontem que se foi
 Do Hoje que já tá
 Mais cigarros
 além dos tantos 
Noites em claro
 que me permiti ficar. 

Bebidas baratas
 que gastei moedas
 Cavalos alados
 de costas quentes
 Suas trapaças
 que me alegram
 seus olhos ardentes. 
Minhas estranhas 
que sucumbirão até o fim
 Comida mal refogada
 que comi de graça
 Ano mal vivido 
que deixei passar. 
Palavra mal dita,
 a que eu proferi.
 Emputecimento 
da mente
 que resiste em pensar em ti. 
Envelheci.


#8
 Haverá um tempo
 Onde tudo
 será enterrado. 
Seu corpo apodrecerá.
 Seus cabelos 
descolarão do couro
 E serão parte do chão
adubarão a terra
alimentarão baratas. 
Suas unhas
 em lascas
 cairão das pontas 
dos teus dedos. 
A sola
 dos teus pés 
descascará 
em câmera lenta.
 Até as roupas
 que lhe escolheram.

 o caixão 
logo não mais existirá.

 Mas não há o que temer
. Sua alma passeará livre.
Flutuará e observará 
a vida seguindo
a falta que fazes.






#9
 Cada dia será único 
Todos somos animais
 sob a terra
 Todos andamos
 e comemos
 o mesmo alimento 
    
 Tudo é da terra. 
  Nada é realmente nosso 
nem nós mesmos
 Nem nossas más 
 ou boas escolhas. 
A minha história 
sou eu quem escreve.

 Vai de ti,
 abrir teu  livro
 Fechá-lo
 Borrá-lo 
Tente  apagar
 a tinta permanente 
 que se relaciona
 com como as palavras 
são proferidas 

Escritas à letra cursiva/bastão. 

À sua mão.
 À sua língua
 À sua boca.
 Ao que emana.
 Ao que atrai.
 Responsabiliza-te. 




HAIKAIS
-Fecha porta, 
abre 
sala de espera. 

-Bafo quente 
do seu hálito. 

-Cansada do olhar
 do seu. 
-Fala menos, ouve mais. 

-Deixa a corda pra 
amarrar cerca. 
-A vela que incendeia. 

-As palavras abraçam 
Os braços apertam. 
-Verdadeiro Eu não existe. 
-Calei minha boca 
parei as palavras. 

- Cadeira de dia 
fantasma de noite. 

-Andei sozinha na casa alheia. 
-Toda a casa tem em comum o chão. 

- Cozinha em casa
 come a rua 
-DarkSideOfAugusty 
-Loucos do nosso 
do seu do meu. 

-Viveu suficiente pra acordar. 
-Beija minha alma lambe meu ser. 
-Saudades que batem socos na cara. 
-Amor liquido me dá um gole? 
-2020, 














































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